Bolsonaro nos afundou num nível subterrâneo de desgoverno, corrupção e intenções patrimonialistas, do qual enfrentamos até hoje sérias dificuldades de nos erguer. As instituições patinam, figuras públicas tóxicas se multiplicam e a sensação de perene risco coletivo perdura. Mas o bolsonarismo segue relevante, o que me faz questionar o porquê dessa impermeabilidade à crítica. Qual o motivo que Bolsonaro ainda faz tanto sucesso?
Breve trajetória da presidência Bolsonaro…
É lícito dizer que a trajetória de Jair Messias Bolsonaro na presidência da República Federativa do Brasil é de conhecimento geral e comum. Ainda assim, como preâmbulo para discutir os porquês da persistência da base de apoio do ex-presidente, proponho uma brevíssima recapitulação de fatos e destaques. O intuito aqui é ilustrar uma discussão posterior, a ser publicada no blog, sobre a permanência e impermeabilidade do movimento bolsonarista. Antes, precisamos de um pouco de história.
Crônica de um Descenso Anunciado: O Discurso de Trump na ONU
Trump fez um autorretrato delirante, como se fosse um líder global capaz de finalizar guerras, combater corrupção, terrorismo e alcançar a paz. Nenhuma informação transmitida ali era verdadeira, nada fazia o menor sentido. O tal quadro não passou, ao final, de uma sobreposição de garatujas em um estágio muito primário de desenvolvimento.
Paradigmas Sociológicos da Análise Organizacional
Os estudos organizacionais são um campo vasto e contraditório, marcado por disputas políticas, que reúne diferentes perspectivas de interpretação e análise da realidade, seus objetos (as organizações) e do próprio campo em si. Compreender sua extensão e premissas é um grande desafio. O objetivo desse texto é relatar uma das alternativas para tanto, na análise do clássico modelo de sistematização dos estudos organizacionais elaborado por Gibson Burrell e Gareth Morgan.
Resenha: “A Estratégia Nacional de Segurança” Estadunidense, sob G. W. Bush
Após os atentados de 11 de setembro de 2011, a então amorfa e insossa presidência de G. W. Bush ganhou tração e propósito na "Guerra ao Terror", 2001-2021. O capitalismo estadunidensa fora contemplado ali com (ou terá construído?) aquilo que mais precisa: um inimigo. Muito daqueles anos seria antecipado na "Estratégia Nacional de Segurança" dos EUA de 2002. Essa resenha foi preparada para a disciplina "Política e Integração Internacional", no Mestrado em Administração do NPGA/UFBA em 2010, ministrada pelo querido (e brilhante) Mestre Nelson Oliveira. Muito daquela época ressoa em nossos tempos, por isso, creio ser prudente retornar ao tema.
As Forças Armadas e o Golpismo no Brasil
Advogo firmemente que as forças armadas brasileiras têm que deixar de existir. Não simplesmente mudar, trocar nomes, ou pessoas. Não se trata apenas de ser necessário uma reforma, por abrangente que se imagine. Toda a institucionalidade corrupta, hierarquia, normas, procedimentos, pretenso aparato de “justiça militar”, precisa ser simplesmente desmontada, reduzida ao zero. Não há ali o que aproveitar. Dos restos, pode até ser criado um museu, um centro permanente de estudos e pesquisas, para nos lembrar de até onde a idiotice humana pode chegar. Mas, apenas isso e nada mais.
A “Ciência” Econômica que Estressa o Mundo
Esse post foi elaborado como contraponto ao artigo de opinião publicado pelo pesquisador da FGV, Samuel Pessôa, na Folha de São Paulo desse domingo (28/9/2024): "Lula Estressa a Economia". Ali, defende-se, entre outras posições questionáveis, que a valorização do salário mínimo estressaria a economia por ser uma medida inflacionária.
Administração Política e Gestão do Modo de Produção
Nesse post pretendo fazer um convite. Em 2008 publiquei, junto com a então pesquisadora do grupo de estudo sobre administração política da Escola de Administração da UFBA, Clara Marinho Pereira, esse artigo teórico intitulado Administração Política e Gestão do Modo de Produção. É um texto elaborado por dois graduandos, sob orientação do saudoso Prof. Reginaldo... Continuar Lendo →
A Internacionalização da Universidade Pública no Brasil
"Internacionalização" é a palavra da moda na universidade brasileira. De repente, quer-se ir para fora, rápido, à passos largos, Qual o sentido disso tudo? Esse breve texto procura tecer uma reflexão sobre os porquês e as lógicas da internacionalização que se pretende na Universidade.
O Estado em Marx
Nesse breve ensaio, o objetivo é o de refletir acerca da concepção marxiana de Estado. Partimos da crítica comumente realizada de que em Marx a instância política seria determinada pela estrutura econômica e, portanto, ensejaria uma noção simplista e superficial de Estado. Na minha opinião, a premissa de que o processo político numa sociedade capitalista seria reflexo das contradições no âmbito das relações sociais de produção não significa, por si só, uma concepção simplista do sistema político.