A administração do Estado de uma nação não é puramente resultado da escolha de seus cidadãos, mas se encontra muito influenciada pela maneira como esse país se integra internacionalmente. Essa é a premissa desse texto, resultado do esforço de investigação do grupo de pesquisa Estado, Governança e Administração Pública. Nossa aposta nesse ensaio é de que existe um campo relativamente inexplorado de estudo, na compreensão da relação entre as dinâmicas microgerenciais e macroestruturantes do Estado. Convido a todos para a leitura dessa apresentação e, por extensão, do artigo completo.
Milionários, Bilionários, Trilionários
O mundo tem ficado pior, mais inseguro, conservador e intolerante. A diferença entre ricos e pobres tem aumentado, talvez escalado vertiginosamente. A extrema riqueza parece explodir no mundo todo, ao mesmo tempo em que a pobreza se espalha. Bilionários costumam ser tratados como prova do sucesso de um sistema. Talvez sejam sua principal falha. Antes de seguir, vale um aviso: este texto dificilmente confirmará aquilo que você já pensa sobre riqueza. Parte de uma pergunta simples: o problema está no dinheiro ou no poder que ele compra? Entre tributação, regulação e propriedade, propõe deslocar o debate para aquilo que realmente importa: quem controla as condições materiais da vida coletiva e por que esse controle continua sendo tratado como algo normal.
O Admirável (?) Velho-Mundo das Startups
De quando em quando (quase sempre!) o mundo dos negócios se deixa envolver por modismos. Startups, o novo santo graal da comunidade de negócios, é um desses modismos. Toda a cultura de startups parece estar fundada em princípios arcaicos que só são percebidos como novidade graças à ignorância história e a soberba da juventude de alguns de seus frequentadores.
Aforismos Aleatórios – I
Tão cara e tão rara a honestidade. Poucos estão habilitados para oferecer. Tampouco há muitas pessoas capazes de receber. Alguns, que sequer sabem reconhecer, confundem com todo tipo de coisa, desde da mera falta de bons modos, até o sarcasmo mais cínico. Ainda assim, continua a ser a única e verdadeira solução… Não dá pra... Continuar Lendo →
O Papel Social de Administradores
São muitas as oportunidades que o senso comum, e até mesmo parte da academia especializada, vamos admitir, relega a Administração a pecha de ciência “menor”, apêndice da microeconomia, conjunto de técnicas cuja contribuição se resume a meramente controlar as condições de eficiência do trabalho. No entanto, em meu artigo intitulado Sobre o papel social do administrador, venho convidar a quem lê para romper com essa visão vulgar e tecnicista que reduz nossa profissão ao manejo de planilhas e à vigilância da produtividade alheia.
A concepção Weberiana da administração burocrática do Estado capitalista
A administração segundo uma lógica burocrática exerce papel central na sociologia weberiana, sobretudo no que concerne a abordagem do estado capitalista realizada pelo sociológico alemão. O que se compreende por teoria da burocracia em Weber não se assemelha a um modelo organizacional, mas sim aparece como expressão do processo histórico de racionalização. Pedra angular da civilização capitalista, a administração burocrática funciona como a articulação de fatores de produção e tecnologias por intermédio do emprego de métodos científicos. Nesse sentido, na sociologia weberiana a administração burocrática expressa a dinâmica de racionalização em termos de ordenamento das relações sociais sob a égide exclusiva dos objetivos, com implicações políticas, econômicas, organizacionais e mesmo psicossociais.
Eles acreditam mesmo naquilo? Missão, visão e valores como dispositivo discursivo[1]
A função das MVV é performativa: são atos de fala que, ao serem enunciados, produzem a realidade que nomeiam; se não de forma concreta, pelo menos no que concerne a estruturação das relações sociais necessárias para assegurar os interesses e poderes das frações dominantes. As declarações de missão, visão e valores então se constituem como dispositivos de poder que produzem subjetividades, disciplinam comportamentos e substituem a complexidade caótica da vida organizacional por um simulacro limpo, ordenado e, acima de tudo, controlável.
Missão, Visão e Valores: a função das diretrizes estratégicas[1]
Não se trata, portanto, de dizer meramente que as diretrizes estratégicas são declarações falsas, simples mentiras deslavadas. Missão, visão e valores, mesmo que sabidamente enganosas, exageradas e, é preciso reconhecer, cafonas, piegas, ridículas até, cumprem uma função de sustentação subjetivo-simbólica das relações capitalistas para o controle (subsunção) e aproveitamento abusivo (exploração) do trabalho. Ao mascarar luta de classes, firmar o consenso burguês em torno do direito de explorar e se apropriar do trabalho alheio, bem como funcionar como antidoto contra alienação, essas diretrizes contribuem para a continuidade da empresa como instituição dominante das sociedades, da burguesia como classe hegemônica, do capital como estrutura onipresente de dominação e opressão em escala global.
Paradigmas Sociológicos da Análise Organizacional
Os estudos organizacionais são um campo vasto e contraditório, marcado por disputas políticas, que reúne diferentes perspectivas de interpretação e análise da realidade, seus objetos (as organizações) e do próprio campo em si. Compreender sua extensão e premissas é um grande desafio. O objetivo desse texto é relatar uma das alternativas para tanto, na análise do clássico modelo de sistematização dos estudos organizacionais elaborado por Gibson Burrell e Gareth Morgan.
1º de maio: sobre o administrador e o trabalho*
Hoje é dia do trabalhador, e nós administradores profissionais não podemos comemorar, pois este dia lembra datas nas quais as massas sociais quiseram contestar o modo de vida que celebramos. Somos uma verdadeira “classe média”, nem quente nem fria, pronta para ser vomitada.