A administração do Estado de uma nação não é puramente resultado da escolha de seus cidadãos, mas se encontra muito influenciada pela maneira como esse país se integra internacionalmente. Essa é a premissa desse texto, resultado do esforço de investigação do grupo de pesquisa Estado, Governança e Administração Pública. Nossa aposta nesse ensaio é de que existe um campo relativamente inexplorado de estudo, na compreensão da relação entre as dinâmicas microgerenciais e macroestruturantes do Estado. Convido a todos para a leitura dessa apresentação e, por extensão, do artigo completo.
Lupita Nyong’o ELEVA a Odisseia
É triste e vergonhoso acompanhar a discussão sobre o casting de Lupita Nyong’o no filme A Odisseia de Christopher Nolan. Sobretudo porque, por detrás dos debates e manifestações em contrário, o que temos é um caso de racismo aberto e desavergonhado. Ainda mais ao notar que, se analisarmos de um ponto de vista histórico, antropológico e literário, compreende-se que a atriz eleva, melhora, aprimora, dá uma dimensão ainda maior e mais bem acabada ao mito. Lupita Nyong’o não é meramente adequada para o papel, a narrativa cresce graças ao seu trabalho.
Milionários, Bilionários, Trilionários
O mundo tem ficado pior, mais inseguro, conservador e intolerante. A diferença entre ricos e pobres tem aumentado, talvez escalado vertiginosamente. A extrema riqueza parece explodir no mundo todo, ao mesmo tempo em que a pobreza se espalha. Bilionários costumam ser tratados como prova do sucesso de um sistema. Talvez sejam sua principal falha. Antes de seguir, vale um aviso: este texto dificilmente confirmará aquilo que você já pensa sobre riqueza. Parte de uma pergunta simples: o problema está no dinheiro ou no poder que ele compra? Entre tributação, regulação e propriedade, propõe deslocar o debate para aquilo que realmente importa: quem controla as condições materiais da vida coletiva e por que esse controle continua sendo tratado como algo normal.
O Brasil precisa de um CEO?
A crescente difusão da linguagem empresarial no debate político tem aproximado a administração pública de categorias vindas da gestão privada. Esse não é fenômeno novo para quem esteve no planeta nos últimos 30 anos. Mas, recentemente um político querido das empresas de mídia afirmou que o Brasil precisaria de um "novo CEO", um pretenso símbolo de eficiência, racionalidade e capacidade técnica. Aqui, tento examinar criticamente essa associação, argumentando que Estado e empresa respondem a finalidades, critérios de desempenho e formas de produção de valor distintos. Ao discutir a função do CEO na firma capitalista e confrontá-la com os princípios que orientam a ação estatal, nesse ensaio tento discutir algumas das implicações políticas e sociais da transposição de modelos gerenciais privados para a administração pública.
O Admirável (?) Velho-Mundo das Startups
De quando em quando (quase sempre!) o mundo dos negócios se deixa envolver por modismos. Startups, o novo santo graal da comunidade de negócios, é um desses modismos. Toda a cultura de startups parece estar fundada em princípios arcaicos que só são percebidos como novidade graças à ignorância história e a soberba da juventude de alguns de seus frequentadores.
Aforismos Aleatórios – I
Tão cara e tão rara a honestidade. Poucos estão habilitados para oferecer. Tampouco há muitas pessoas capazes de receber. Alguns, que sequer sabem reconhecer, confundem com todo tipo de coisa, desde da mera falta de bons modos, até o sarcasmo mais cínico. Ainda assim, continua a ser a única e verdadeira solução… Não dá pra... Continuar Lendo →
Algoritmos contra a Sociedade
As redes sociais não conectam pessoas, colonizam relações. Operadas por conglomerados privados que lucram com opacidade algorítmica, convertem atenção, afetos e vínculos sociais em matéria-prima. Sob o verniz da “conexão”, produzem ruído, dependência, manipulação emocional e distorção política em escala industrial. Não se trata de efeito colateral, mas estratégia e estrutura de ação. É preciso dizer: os ganhos do descontrole privado da internet não compensam seus custos sociais; regular é um imperativo civilizatório.
O Antiteísmo
Não basta sermos ateus. Não é possível supor que a civilização possa incluir de maneira funcional essas estruturas irracionais de relação sem correr o risco de solapar seus próprios fundamentos. É necessário que haja uma guinada antiteísta. Urge que a sociedade trabalhe para extinguir as religiões organizadas. Faz-se necessário expurgar a irracionalidade da fé, desidratar os argumentos anti-humanistas disseminados pelas religiões organizadas, enfrentar como se fossem problemas de saúde pública as condições emocionais, intelectuais e sociais que levam uma pessoa procurar uma igreja. Porque de fato esses são sérios problemas de saúde pública, com implicações não desprezíveis sobre o equilíbrio das sociedades.
O Papel Social de Administradores
São muitas as oportunidades que o senso comum, e até mesmo parte da academia especializada, vamos admitir, relega a Administração a pecha de ciência “menor”, apêndice da microeconomia, conjunto de técnicas cuja contribuição se resume a meramente controlar as condições de eficiência do trabalho. No entanto, em meu artigo intitulado Sobre o papel social do administrador, venho convidar a quem lê para romper com essa visão vulgar e tecnicista que reduz nossa profissão ao manejo de planilhas e à vigilância da produtividade alheia.
Não adianta argumentar com bolsonarista
É preciso encarar essa verdade de frente: não adianta argumentar com bolsonaristas. De nada serve mostrar estatísticas, fotos, vídeos, nada que prove que o "mito" está mentindo. Tampouco é útil escancarar o quanto ele é asqueroso, mal-educado, agressivo, racista ou preconceituoso. Muito menos eficiente é expor a corrupção, a imoralidade, o enriquecimento ilícito, escancarar suas... Continuar Lendo →