O Brasil precisa de um CEO?

A crescente difusão da linguagem empresarial no debate político tem aproximado a administração pública de categorias vindas da gestão privada. Esse não é fenômeno novo para quem esteve no planeta nos últimos 30 anos. Mas, recentemente um político querido das empresas de mídia afirmou que o Brasil precisaria de um "novo CEO", um pretenso símbolo de eficiência, racionalidade e capacidade técnica. Aqui, tento examinar criticamente essa associação, argumentando que Estado e empresa respondem a finalidades, critérios de desempenho e formas de produção de valor distintos. Ao discutir a função do CEO na firma capitalista e confrontá-la com os princípios que orientam a ação estatal, nesse ensaio tento discutir algumas das implicações políticas e sociais da transposição de modelos gerenciais privados para a administração pública.

O Admirável (?) Velho-Mundo das Startups

Há palavras que prometem futuro antes mesmo de explicarem o presente. Startup tornou-se uma delas. Cercada por um vocabulário de inovação, agilidade e disrupção, a ideia passou a ocupar um lugar quase incontestável no imaginário dos negócios. Mas, por trás do entusiasmo, talvez exista menos novidade do que repetição, menos ruptura do que uma nova embalagem para velhos mecanismos do capitalismo.

Aforismos Aleatórios – I

Tão cara e tão rara a honestidade. Poucos estão habilitados para oferecer. Tampouco há muitas pessoas capazes de receber. Alguns, que sequer sabem reconhecer, confundem com todo tipo de coisa, desde da mera falta de bons modos, até o sarcasmo mais cínico. Ainda assim, continua a ser a única e verdadeira solução… Não dá pra... Continuar Lendo →

Algoritmos contra a Sociedade

As redes sociais não conectam pessoas, colonizam relações. Operadas por conglomerados privados que lucram com opacidade algorítmica, convertem atenção, afetos e vínculos sociais em matéria-prima. Sob o verniz da “conexão”, produzem ruído, dependência, manipulação emocional e distorção política em escala industrial. Não se trata de efeito colateral, mas estratégia e estrutura de ação. É preciso dizer: os ganhos do descontrole privado da internet não compensam seus custos sociais; regular é um imperativo civilizatório.

O Antiteísmo

Não basta sermos ateus. Não é possível supor que a civilização possa incluir de maneira funcional essas estruturas irracionais de relação sem correr o risco de solapar seus próprios fundamentos. É necessário que haja uma guinada antiteísta. Urge que a sociedade trabalhe para extinguir as religiões organizadas. Faz-se necessário expurgar a irracionalidade da fé, desidratar os argumentos anti-humanistas disseminados pelas religiões organizadas, enfrentar como se fossem problemas de saúde pública as condições emocionais, intelectuais e sociais que levam uma pessoa procurar uma igreja. Porque de fato esses são sérios problemas de saúde pública, com implicações não desprezíveis sobre o equilíbrio das sociedades.

Não adianta argumentar com bolsonarista

É preciso encarar essa verdade de frente: não adianta argumentar com bolsonaristas. De nada serve mostrar estatísticas, fotos, vídeos, nada que prove que o "mito" está mentindo. Tampouco é útil escancarar o quanto ele é asqueroso, mal-educado, agressivo, racista ou preconceituoso. Muito menos eficiente é expor a corrupção, a imoralidade, o enriquecimento ilícito, escancarar suas... Continuar Lendo →

“Vestir a Camisa” da Empresa

“Vestir a camisa da empresa” soa como conselho inofensivo, quase uma regra básica de convivência profissional. Mas o que exatamente se exige quando se pede lealdade, engajamento e entrega total em vínculos cada vez mais instáveis? Este texto desmonta essa retórica e expõe como a camisa funciona como ideologia, como desculpa para trabalhar mais e como técnica refinada de controle. Ao seguir o fio que liga pertencimento à exploração e engajamento à obediência, a leitura convida a olhar com desconfiança para uma das palavras de ordem mais repetidas — e menos questionadas — do capitalismo contemporâneo.

A Máquina de Definir o Brasil

A grande mídia sudestina não informa: normatiza, enquadra e disciplina. Não exerce jornalismo: exerce poder. Seu poder não reside apenas na difusão de notícias, mas na capacidade de definir limites simbólicos, interditar vozes dissidentes e naturalizar privilégios como se fossem consensos nacionais. Ao operar como guardiã autoproclamada do “interesse público”, a grande mídia sudestina funciona, na prática, como braço ideológico de uma elite estreita, hostil à democracia substantiva e refratária a qualquer redistribuição de poder, renda ou reconhecimento.

Quando o terrorismo de Estado veste farda estadunidense

A apreensão de um petroleiro na costa da Venezuela por militares dos Estados Unidos, na quarta-feira, 11 de dezembro de 2025, inaugura um novo capítulo no impasse entre Trump e Maduro. De autoproclamado “líder do mundo livre”, os Estados Unidos rebaixam-se a um regime autoritário, intervencionista e praticante de terrorismo, crimes de guerra e pirataria. Quem será capaz de conter um Estados Unidos inconsequente? Acautelai-vos!

Primórdios da Reforma do Estado no Brasil[1]

A reforma do Estado no Brasil é um produto da década de 1990. A Nova Administração Pública (NAP) chega aqui tardiamente, mais de 10 anos depois de ter aportado em países como EUA e UK. E, como não poderia deixar de ser, sofre adaptações, avanços e retrocessos típicos daqueles decorrentes de quando se tenta impor uma lógica alienígena à uma sociedade complexa.

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