A assim chamada cultura corporativa se eleva sobre práticas de controle, submissão e jugo, que não apenas são extensão dos costumes sociais de opressão, como também compreendem dinâmicas opressivas próprias. O ambiente empresarial é um espaço de violência que atinge praticamente a todos, mas notadamente, vitima com maior intensidade aqueles que socialmente já se encontram em situação de vulnerabilidade. Nas costas daqueles menos favorecidos, mais socialmente marginalizados, as empresas se erguem para acumular bilhões.
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A ilusão da ordem e a barbárie dos nossos tempos
Anos atrás, em 2014, a jornalista Rachel Sheherazade publicou defesa de opinião argumentando que a situação de segurança no Brasil é ruim, o governo é inócuo e as instituições de direitos humanos são usadas para proteger os bandidos, enquanto os “cidadãos” seriam deixados de lado. Sua opinião na época, embora generalizadamente disseminada, está envolva em muitos véus de obscura ignorância que precisam ser retirados para que seja possível realizar um debate verdadeiramente eficaz sobre as questões de segurança que acometem a nação. Sobretudo porque se tratam de argumentos que circulam mais ou menos da mesma forma até hoje.
“Não olhe para cima”, um louvor
O que parece uma comédia de erros é, na verdade, um drama de realismo cru e verossimilhança chocante. Não apenas decorrente do brilhantismo dos cineastas, mas sobretudo por causa do fato de que vivemos em uma era de declínio cognitivo coletivo, numa sociedade dominada pelo efêmero e pelo inútil. O cômico e o ridículo da plot doém como um golpe bem dado, porque também são a imagem real de nosso tempo.
Não existe nada mais pernicioso para a sociedade que políticos ávidos por poder, economistas sôfregos em alcançar reconhecimento e capitalistas vorazes pelos lucros. Nossa tragédia está em termos sempre sido governados por pessoas assim.
E assim…
Nos encontramos num momento, numa encruzilhada histórica (cômica?) quando o mais indicado é fingir ser mesmo o que se é de fato, se não em ato, ao menos em estardalhaço, como que parodiando toscamente o poeta descrito e vivido (?) por Pessoa.