“Vestir a Camisa” da Empresa

“Vestir a camisa da empresa” soa como conselho inofensivo, quase uma regra básica de convivência profissional. Mas o que exatamente se exige quando se pede lealdade, engajamento e entrega total em vínculos cada vez mais instáveis? Este texto desmonta essa retórica e expõe como a camisa funciona como ideologia, como desculpa para trabalhar mais e como técnica refinada de controle. Ao seguir o fio que liga pertencimento à exploração e engajamento à obediência, a leitura convida a olhar com desconfiança para uma das palavras de ordem mais repetidas — e menos questionadas — do capitalismo contemporâneo.

A Máquina de Definir o Brasil

A grande mídia sudestina não informa: normatiza, enquadra e disciplina. Não exerce jornalismo: exerce poder. Seu poder não reside apenas na difusão de notícias, mas na capacidade de definir limites simbólicos, interditar vozes dissidentes e naturalizar privilégios como se fossem consensos nacionais. Ao operar como guardiã autoproclamada do “interesse público”, a grande mídia sudestina funciona, na prática, como braço ideológico de uma elite estreita, hostil à democracia substantiva e refratária a qualquer redistribuição de poder, renda ou reconhecimento.

Quando o terrorismo de Estado veste farda estadunidense

A apreensão de um petroleiro na costa da Venezuela por militares dos Estados Unidos, na quarta-feira, 11 de dezembro de 2025, inaugura um novo capítulo no impasse entre Trump e Maduro. De autoproclamado “líder do mundo livre”, os Estados Unidos rebaixam-se a um regime autoritário, intervencionista e praticante de terrorismo, crimes de guerra e pirataria. Quem será capaz de conter um Estados Unidos inconsequente? Acautelai-vos!

Primórdios da Reforma do Estado no Brasil[1]

A reforma do Estado no Brasil é um produto da década de 1990. A Nova Administração Pública (NAP) chega aqui tardiamente, mais de 10 anos depois de ter aportado em países como EUA e UK. E, como não poderia deixar de ser, sofre adaptações, avanços e retrocessos típicos daqueles decorrentes de quando se tenta impor uma lógica alienígena à uma sociedade complexa.

A Nova Administração Pública[1]

“Nova Administração Pública” (NAP), “New Public Management” (NPM), “Nova Gestão Pública” (NGP), esses são alguns dos termos normalmente empregados para se referir ao modelo dominante de administração estatal que se tornou hegemônico a partir do último quartel do século XX. Embora a ênfase seja quase sempre dedicada à palavra “nova”, a perspectiva gerencialista da administração pública já se ensaiava em seus fundamentos — Estado mínimo, eficiência e restrição fiscal — em trabalhos de economistas liberais desde meados do século XX. Diante disso, afinal, o que de fato há de “novo” na NAP?

A perspectiva norte-americana de ação pública segundo Woodrow Wilson: Estado, governo e administração

Esse texto analisa a concepção de Woodrow Wilson sobre Estado e Governo, argumentando que sua obra constitui uma inflexão paradigmática no pensamento político e administrativo nos Estados Unidos da América (EUA), à luz das demandas estruturais do capitalismo monopolista que então se formava. Esse trabalho examina os fundamentos teóricos e institucionais da proposta wilsoniana, suas implicações duradouras na política doméstica estadunidense, economia política, relações internacionais e administração pública.

A concepção Weberiana da administração burocrática do Estado capitalista

A administração segundo uma lógica burocrática exerce papel central na sociologia weberiana, sobretudo no que concerne a abordagem do estado capitalista realizada pelo sociológico alemão. O que se compreende por teoria da burocracia em Weber não se assemelha a um modelo organizacional, mas sim aparece como expressão do processo histórico de racionalização. Pedra angular da civilização capitalista, a administração burocrática funciona como a articulação de fatores de produção e tecnologias por intermédio do emprego de métodos científicos. Nesse sentido, na sociologia weberiana a administração burocrática expressa a dinâmica de racionalização em termos de ordenamento das relações sociais sob a égide exclusiva dos objetivos, com implicações políticas, econômicas, organizacionais e mesmo psicossociais.

Eles acreditam mesmo naquilo? Missão, visão e valores como dispositivo discursivo[1]

A função das MVV é performativa: são atos de fala que, ao serem enunciados, produzem a realidade que nomeiam; se não de forma concreta, pelo menos no que concerne a estruturação das relações sociais necessárias para assegurar os interesses e poderes das frações dominantes. As declarações de missão, visão e valores então se constituem como dispositivos de poder que produzem subjetividades, disciplinam comportamentos e substituem a complexidade caótica da vida organizacional por um simulacro limpo, ordenado e, acima de tudo, controlável.

Missão, Visão e Valores: a função das diretrizes estratégicas[1]

Não se trata, portanto, de dizer meramente que as diretrizes estratégicas são declarações falsas, simples mentiras deslavadas. Missão, visão e valores, mesmo que sabidamente enganosas, exageradas e, é preciso reconhecer, cafonas, piegas, ridículas até, cumprem uma função de sustentação subjetivo-simbólica das relações capitalistas para o controle (subsunção) e aproveitamento abusivo (exploração) do trabalho. Ao mascarar luta de classes, firmar o consenso burguês em torno do direito de explorar e se apropriar do trabalho alheio, bem como funcionar como antidoto contra alienação, essas diretrizes contribuem para a continuidade da empresa como instituição dominante das sociedades, da burguesia como classe hegemônica, do capital como estrutura onipresente de dominação e opressão em escala global.

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