Os estertores do mundo como o conhecíamos*

Muito tem sido dito nos últimos meses sobre a crise financeira que abala as finanças mundiais. Houve aqueles que escreveram epitáfios definitivos para o capitalismo, assim como os que apontaram o “Tio Sam” como o grande salvador de nossas (?) almas. Mas a verdade é que do meio do choro e ranger de dentes emerge um mundo exatamente como o de antes: pobreza em crescimento, riqueza em concentração e o Estado pronto para assegurar que tudo se mantenha neste ritmo.

A riqueza e seus segredos*

Recentemente tive a oportunidade de assistir um interlocutor que versava sobre finanças individuais e, dentre seus muitos insights, o palestrante afirmou que um de seus “segredos para o sucesso” é conhecer e copiar o comportamento de pessoas bem sucedidas. Seria reproduzindo a forma de agir de empreendedores badalados que se poderia encontrar maneiras de orientar nossas próprias ações. Como exemplo, ele afirmou que se espelhava muito no então homem mais rico do Brasil, Eike Batista. Não poderia ser um case melhor.

Resenha: “A Sociologia Histórica de Adam Smith”

Essa é uma resenha de um dos capítulos do livro "Adam Smith em Pequim" do ilustre sociólogo Giovanni Arrighi. No texto, o autor trata da lógica social que subjaz o pensamento smithiano, para então desenvolver como essa lógica se reproduz na economia chinesa da passagem do milênio. É um texto essencial para compreender o pensamento liberal hoje, assim como desvelar as dinâmicas longas de nosso tempo.

A falácia da propriedade intelectual*

Em uníssono a indústria do entretenimento reclama o direito dos idealizadores de bens imateriais, como o direito de usufruir da recompensa de seu trabalho, sendo o mercado a maneira “racional” de fazê-lo. A verdade desnuda é que a empresa está defendendo exclusivamente seu próprio interesse, o qual passa por cima inclusive daqueles que dizem defender.

A integração “trunca” da América Latina*

As mudanças na integração econômica latino americana seguiram as mudanças na estratégia capitalista para chegar à completa hegemonia mundial. Só nos foi permitido algum nível de desenvolvimento autônomo quando isto interessava aos países centrais. A integração da América Latina no plano internacional foi, e ainda é sem dúvidas, “trunca”, por ter sido sempre submissa e incompleta, como quase tudo do lado de cá do Equador.

As Mãos Negras e as Armas do Racismo

O tosco caso do uso da foto de uma mão negra segurando uma arma para ilustrar a notícia de uma chacina nazifascista pelo Estadão gerou repulsa, indignação, cancelamento, entre outras reações diante do suposto erro. Na minha opinião, não se trata de uma mera escolha infeliz. São muitas camadas de controle de uma reportagem antes de ser veiculada, desde o furo, passando pela checagem, até a montagem e prova do material. Não me parece que uma estrutura assim incorreria num erro tão primário. Penso que se trata de uma sinalização, uma estratégia de posicionamento político à direita, que expõe o racismo institucional brasileiro.

O falso valor da administração acrítica* 

A ciência concorre para separar o que é a opinião, a doxa, o interesse que deseja apenas atingir seus objetivos particulares, do conhecimento propriamente dito. O papel da ciência é tentar desfazer as brumas do entendimento, mesmo que espessas, mesmo que seculares, mesmo que se apresentem intransponíveis. Mesmo que sejam de fato impenetráveis...

A crise da administração*

O modelo dominante da ciência da gestão parece, portanto, asfixiado pelo imperativo da empresa e pelo lucro, usando como desculpa a noção do bem-estar consumista e se fechando numa visão míope do mundo. No entanto, endossado por uma estrutura que contabiliza a qualidade da ciência através de indicadores numéricos de produção, entende-se como pujante e crescente. Esta contradição sem alarde encontra ouvidos surdos e se alastra maliciosamente como um câncer, podendo tornar tanto a prática quando a ciência algo que serve apenas a interesses transitórios, que não se aprofunda em nada, e que perde enfim a razão de existir.

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