Algoritmos contra a Sociedade

As redes sociais não conectam pessoas, colonizam relações. Operadas por conglomerados privados que lucram com opacidade algorítmica, convertem atenção, afetos e vínculos sociais em matéria-prima. Sob o verniz da “conexão”, produzem ruído, dependência, manipulação emocional e distorção política em escala industrial. Não se trata de efeito colateral, mas estratégia e estrutura de ação. É preciso dizer: os ganhos do descontrole privado da internet não compensam seus custos sociais; regular é um imperativo civilizatório.

O Papel Social de Administradores

São muitas as oportunidades que o senso comum, e até mesmo parte da academia especializada, vamos admitir, relega a Administração a pecha de ciência “menor”, apêndice da microeconomia, conjunto de técnicas cuja contribuição se resume a meramente controlar as condições de eficiência do trabalho. No entanto, em meu artigo intitulado Sobre o papel social do administrador, venho convidar a quem lê para romper com essa visão vulgar e tecnicista que reduz nossa profissão ao manejo de planilhas e à vigilância da produtividade alheia.

Não adianta argumentar com bolsonarista

É preciso encarar essa verdade de frente: não adianta argumentar com bolsonaristas. De nada serve mostrar estatísticas, fotos, vídeos, nada que prove que o "mito" está mentindo. Tampouco é útil escancarar o quanto ele é asqueroso, mal-educado, agressivo, racista ou preconceituoso. Muito menos eficiente é expor a corrupção, a imoralidade, o enriquecimento ilícito, escancarar suas... Continuar Lendo →

“Vestir a Camisa” da Empresa

“Vestir a camisa da empresa” soa como conselho inofensivo, quase uma regra básica de convivência profissional. Mas o que exatamente se exige quando se pede lealdade, engajamento e entrega total em vínculos cada vez mais instáveis? Este texto desmonta essa retórica e expõe como a camisa funciona como ideologia, como desculpa para trabalhar mais e como técnica refinada de controle. Ao seguir o fio que liga pertencimento à exploração e engajamento à obediência, a leitura convida a olhar com desconfiança para uma das palavras de ordem mais repetidas — e menos questionadas — do capitalismo contemporâneo.

A Máquina de Definir o Brasil

A grande mídia sudestina não informa: normatiza, enquadra e disciplina. Não exerce jornalismo: exerce poder. Seu poder não reside apenas na difusão de notícias, mas na capacidade de definir limites simbólicos, interditar vozes dissidentes e naturalizar privilégios como se fossem consensos nacionais. Ao operar como guardiã autoproclamada do “interesse público”, a grande mídia sudestina funciona, na prática, como braço ideológico de uma elite estreita, hostil à democracia substantiva e refratária a qualquer redistribuição de poder, renda ou reconhecimento.

Quando o terrorismo de Estado veste farda estadunidense

A apreensão de um petroleiro na costa da Venezuela por militares dos Estados Unidos, na quarta-feira, 11 de dezembro de 2025, inaugura um novo capítulo no impasse entre Trump e Maduro. De autoproclamado “líder do mundo livre”, os Estados Unidos rebaixam-se a um regime autoritário, intervencionista e praticante de terrorismo, crimes de guerra e pirataria. Quem será capaz de conter um Estados Unidos inconsequente? Acautelai-vos!

Primórdios da Reforma do Estado no Brasil[1]

A reforma do Estado no Brasil é um produto da década de 1990. A Nova Administração Pública (NAP) chega aqui tardiamente, mais de 10 anos depois de ter aportado em países como EUA e UK. E, como não poderia deixar de ser, sofre adaptações, avanços e retrocessos típicos daqueles decorrentes de quando se tenta impor uma lógica alienígena à uma sociedade complexa.

A Nova Administração Pública[1]

“Nova Administração Pública” (NAP), “New Public Management” (NPM), “Nova Gestão Pública” (NGP), esses são alguns dos termos normalmente empregados para se referir ao modelo dominante de administração estatal que se tornou hegemônico a partir do último quartel do século XX. Embora a ênfase seja quase sempre dedicada à palavra “nova”, a perspectiva gerencialista da administração pública já se ensaiava em seus fundamentos — Estado mínimo, eficiência e restrição fiscal — em trabalhos de economistas liberais desde meados do século XX. Diante disso, afinal, o que de fato há de “novo” na NAP?

A perspectiva norte-americana de ação pública segundo Woodrow Wilson: Estado, governo e administração

Esse texto analisa a concepção de Woodrow Wilson sobre Estado e Governo, argumentando que sua obra constitui uma inflexão paradigmática no pensamento político e administrativo nos Estados Unidos da América (EUA), à luz das demandas estruturais do capitalismo monopolista que então se formava. Esse trabalho examina os fundamentos teóricos e institucionais da proposta wilsoniana, suas implicações duradouras na política doméstica estadunidense, economia política, relações internacionais e administração pública.

A concepção Weberiana da administração burocrática do Estado capitalista

A administração segundo uma lógica burocrática exerce papel central na sociologia weberiana, sobretudo no que concerne a abordagem do estado capitalista realizada pelo sociológico alemão. O que se compreende por teoria da burocracia em Weber não se assemelha a um modelo organizacional, mas sim aparece como expressão do processo histórico de racionalização. Pedra angular da civilização capitalista, a administração burocrática funciona como a articulação de fatores de produção e tecnologias por intermédio do emprego de métodos científicos. Nesse sentido, na sociologia weberiana a administração burocrática expressa a dinâmica de racionalização em termos de ordenamento das relações sociais sob a égide exclusiva dos objetivos, com implicações políticas, econômicas, organizacionais e mesmo psicossociais.

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