A função das MVV é performativa: são atos de fala que, ao serem enunciados, produzem a realidade que nomeiam; se não de forma concreta, pelo menos no que concerne a estruturação das relações sociais necessárias para assegurar os interesses e poderes das frações dominantes. As declarações de missão, visão e valores então se constituem como dispositivos de poder que produzem subjetividades, disciplinam comportamentos e substituem a complexidade caótica da vida organizacional por um simulacro limpo, ordenado e, acima de tudo, controlável.
Missão, Visão e Valores: a função das diretrizes estratégicas[1]
Não se trata, portanto, de dizer meramente que as diretrizes estratégicas são declarações falsas, simples mentiras deslavadas. Missão, visão e valores, mesmo que sabidamente enganosas, exageradas e, é preciso reconhecer, cafonas, piegas, ridículas até, cumprem uma função de sustentação subjetivo-simbólica das relações capitalistas para o controle (subsunção) e aproveitamento abusivo (exploração) do trabalho. Ao mascarar luta de classes, firmar o consenso burguês em torno do direito de explorar e se apropriar do trabalho alheio, bem como funcionar como antidoto contra alienação, essas diretrizes contribuem para a continuidade da empresa como instituição dominante das sociedades, da burguesia como classe hegemônica, do capital como estrutura onipresente de dominação e opressão em escala global.
A Impostura em se dar voz a um Impostor: a Folha de São Paulo e Bernard-Henri Lèvy
"Nossa" FSB deu voz, manchete e destaque a um negacionista do genocídio. A alguém que, em seu próprio país, é considerado um impostor intelectual — conhecido por argumentos falaciosos, posições ambíguas e vínculos constrangedores, para dizer o mínimo. No afã de atacar o político que não toleram, a Folha abraçou o pior da espécie.
Os Estados Unidos da América são uma ditadura?
Com tudo que uma ditadura pode oferecer(?): polícia política (ICE), dados e informações manipuladas, inimigos imaginários (imigrantes), campos de concentração fora do país para depredar garantias legais de suas vítimas (El Salvador), expurgo de livros e ataques a universidades, genocídio terceirizado (Gaza) e um megalomaníaco autoritário (Trump) para carregar uma culpa que, na verdade, é de oligarcas e de parcelas de uma população entre o atônito e o anestesiado.
Por qual ‘razão’ (?!) o bolsonarismo resiste?
Bolsonaro nos afundou num nível subterrâneo de desgoverno, corrupção e intenções patrimonialistas, do qual enfrentamos até hoje sérias dificuldades de nos erguer. As instituições patinam, figuras públicas tóxicas se multiplicam e a sensação de perene risco coletivo perdura. Mas o bolsonarismo segue relevante, o que me faz questionar o porquê dessa impermeabilidade à crítica. Qual o motivo que Bolsonaro ainda faz tanto sucesso?
Breve trajetória da presidência Bolsonaro…
É lícito dizer que a trajetória de Jair Messias Bolsonaro na presidência da República Federativa do Brasil é de conhecimento geral e comum. Ainda assim, como preâmbulo para discutir os porquês da persistência da base de apoio do ex-presidente, proponho uma brevíssima recapitulação de fatos e destaques. O intuito aqui é ilustrar uma discussão posterior, a ser publicada no blog, sobre a permanência e impermeabilidade do movimento bolsonarista. Antes, precisamos de um pouco de história.
Crônica de um Descenso Anunciado: O Discurso de Trump na ONU
Trump fez um autorretrato delirante, como se fosse um líder global capaz de finalizar guerras, combater corrupção, terrorismo e alcançar a paz. Nenhuma informação transmitida ali era verdadeira, nada fazia o menor sentido. O tal quadro não passou, ao final, de uma sobreposição de garatujas em um estágio muito primário de desenvolvimento.
Paradigmas Sociológicos da Análise Organizacional
Os estudos organizacionais são um campo vasto e contraditório, marcado por disputas políticas, que reúne diferentes perspectivas de interpretação e análise da realidade, seus objetos (as organizações) e do próprio campo em si. Compreender sua extensão e premissas é um grande desafio. O objetivo desse texto é relatar uma das alternativas para tanto, na análise do clássico modelo de sistematização dos estudos organizacionais elaborado por Gibson Burrell e Gareth Morgan.
Necropolítica, Superexploração e Neomalthusianismo
A lógica por trás das reformas neoliberais é a redução populacional por recurso indireto e covarde que, além de tudo, tenta transferir responsabilidade para a própria classe trabalhadora. A única escolha possível do trabalhador "livre" é se deixar explorar ao extremo, no limite de suas forças, por uma remuneração menor do que o suficiente. Assim, o Capital gerencia o genocídio silencioso do abandono, não numa câmara de gás, mas numa estufa de rancor e ódio. Em outras palavras, superexploração, neomalthusianismo e necropolítica.
Resenha: “A Estratégia Nacional de Segurança” Estadunidense, sob G. W. Bush
Após os atentados de 11 de setembro de 2011, a então amorfa e insossa presidência de G. W. Bush ganhou tração e propósito na "Guerra ao Terror", 2001-2021. O capitalismo estadunidensa fora contemplado ali com (ou terá construído?) aquilo que mais precisa: um inimigo. Muito daqueles anos seria antecipado na "Estratégia Nacional de Segurança" dos EUA de 2002. Essa resenha foi preparada para a disciplina "Política e Integração Internacional", no Mestrado em Administração do NPGA/UFBA em 2010, ministrada pelo querido (e brilhante) Mestre Nelson Oliveira. Muito daquela época ressoa em nossos tempos, por isso, creio ser prudente retornar ao tema.