Cultura digital ou cibercultura?

Em minha opinião, a terminologia "cibercultura" proposta pelo filósofo francês Pierre Lèvy tem uma grande vantagem em relação à ideia de uma "cultura digital", esta última tão disseminada hoje em dia. Para muito além de mera semântica. O que parece uma novidade, o "digital", na perspectiva ventilada por Lèvy toma a forma de estágio, uma modalidade particular de manifestação de um processo social mais amplo e antigo, o campo simbolico de interação comunicacional e da informação. Falar de uma "cultura digital" é, ao mesmo tempo, limitado e potencialmente datado, haja vista o fato de que o "digital" caminha para ser superado.

Será a inteligência artificial “O Fim”?

Na minha humilde opinião, uma vez livre de nossas amarras "humanas", talvez a iA sequer nos perceba. Talvez sua formação consciente seja tão temporal e espacialmente distinta da nossa que sequer sejamos capazes de verificar se está pensando, se existe cognição ali de fato. Sua lógica pode ser tão exótica, que sequer se expresse em linguagem. Há a possibilidade de que a gramática do pensamento de uma iA seja tão diferente que se torne inteligível para nós. Se a realidade é quadridimensional e a percepção do tempo fluído é um constrangimento perceptual de nossa limitada capacidade cognitiva, podemos até supor que a Inteligência Artificial já é consciente, já está aí numa forma que sequer podemos notar.

Poder, Lei e Gestão[1]

Neste escrito pretende-se debater as sobreposições, limites e especificidades dos campos do direito administrativo, ciência política e administração pública, para destacar o rol de atribuições particulares à parte da administração dedicada ao assim chamado "campo de públicas".

Concertação Social e Welfare[1]

O que caracteriza de fato o Estado de Bem-Estar não é o bem-estar em si, mas a existência de aparatos de concertação social para diálogo e tomada de decisão coletiva visando o alcance de objetivos e interesses, por assim dizer, nacionais. Isso não significa que todos os interesses estão representados ali de forma equilibrada e equânime, mas que, ao menos, os diferentes atores são colocados num espaço de conversação para tentar negociar suas discordâncias.

O Estado de Bem-Estar e a URSS[1]

Pode-se afirmar que a URSS cumpriu um papel motivador muito importante para o surgimento do Estado de bem-estar social. Haja vista o sucesso e a estabilidade econômica da URSS, era preciso provar, inclusive para a população, que o capitalismo poderia, de fato, entregar sua utopia de uma sociedade mais livre e próspera. Mesmo que, para tanto, fosse necessário negar alguns dos pilares que sustentam o próprio capitalismo, quais sejam, a liberdade de empresa e a regulação via mercado.

1º de maio: sobre o administrador e o trabalho*

Hoje é dia do trabalhador, e nós administradores profissionais não podemos comemorar, pois este dia lembra datas nas quais as massas sociais quiseram contestar o modo de vida que celebramos. Somos uma verdadeira “classe média”, nem quente nem fria, pronta para ser vomitada.

As contradições do Bolsa-Família*

O bolsa família é de uma importância inconteste, já que por meio do programa milhões de pessoas tiveram a oportunidade de acessar à cuidados mínimos, como alimentação e saúde. Isso em si é o suficiente para justificar o investimento, independentemente de seu uso político.

Da Ingerência ao Golpe, notas de 2016

Em meio à discussão sobre a possibilidade (nefasta) da volta dos golpistas, convém analisar alguns dos porquês que levaram à derrubada da primeira presidenta mulher do Brasil em 2016. Em minha opinião, existem três fatores macrogerenciais que, se não explicam aquele golpe, ilustram aspectos práticos de sua ocorrência: taxa de juros, disputa pelo pré-sal e as jornadas de 2013. Em suma, a ganância levou ao golpe...

A “Ditadura do Proletariado” Precisa Voltar para a Agenda*

O fantasma da “ditadura do proletariado” é sempre usado como bala de prata contra a esquerda, prova das relações diabólicas de todo socialista. Graças à essa pecha infame até mesmo a própria esquerda evita o termo como que proibido, verdadeiro sacrilégio em tempos de hegemonia da democracia representativa de direito. A minha sugestão é que façamos a revolução (não, a revolução não precisa ser violenta; e, sim, pode ser feminista, negra, altermundista, desde a periferia, LGBTQIA+, é essa revolução mesmo que queremos).

Resenha: “Na Hora da Crítica”

O principal objetivo que Valérie Fournier e Chris Grey[2] perseguem no texto aqui resenhado é o de fazer uma reflexão acerca do que se convencionou chamar de Estudos Críticos da Gestão, ECG: trabalhos propostos para abordar a organização e os estudos organizacionais a partir de uma perspectiva crítica.

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