Advogo firmemente que as forças armadas brasileiras têm que deixar de existir. Não simplesmente mudar, trocar nomes, ou pessoas. Não se trata apenas de ser necessário uma reforma, por abrangente que se imagine. Toda a institucionalidade corrupta, hierarquia, normas, procedimentos, pretenso aparato de “justiça militar”, precisa ser simplesmente desmontada, reduzida ao zero. Não há ali o que aproveitar. Dos restos, pode até ser criado um museu, um centro permanente de estudos e pesquisas, para nos lembrar de até onde a idiotice humana pode chegar. Mas, apenas isso e nada mais.
A “Ciência” Econômica que Estressa o Mundo
Esse post foi elaborado como contraponto ao artigo de opinião publicado pelo pesquisador da FGV, Samuel Pessôa, na Folha de São Paulo desse domingo (28/9/2024): "Lula Estressa a Economia". Ali, defende-se, entre outras posições questionáveis, que a valorização do salário mínimo estressaria a economia por ser uma medida inflacionária.
Administração Política e Gestão do Modo de Produção
Nesse post pretendo fazer um convite. Em 2008 publiquei, junto com a então pesquisadora do grupo de estudo sobre administração política da Escola de Administração da UFBA, Clara Marinho Pereira, esse artigo teórico intitulado Administração Política e Gestão do Modo de Produção. É um texto elaborado por dois graduandos, sob orientação do saudoso Prof. Reginaldo... Continuar Lendo →
A Internacionalização da Universidade Pública no Brasil
"Internacionalização" é a palavra da moda na universidade brasileira. De repente, quer-se ir para fora, rápido, à passos largos, Qual o sentido disso tudo? Esse breve texto procura tecer uma reflexão sobre os porquês e as lógicas da internacionalização que se pretende na Universidade.
O Estado em Marx
Nesse breve ensaio, o objetivo é o de refletir acerca da concepção marxiana de Estado. Partimos da crítica comumente realizada de que em Marx a instância política seria determinada pela estrutura econômica e, portanto, ensejaria uma noção simplista e superficial de Estado. Na minha opinião, a premissa de que o processo político numa sociedade capitalista seria reflexo das contradições no âmbito das relações sociais de produção não significa, por si só, uma concepção simplista do sistema político.
Teorias Contemporâneas do Estado[1]
A pretensão desse escrito é tratar das teorias contemporâneas do Estado que, de alguma forma, transitam no meio político brasileiro. O intuito aqui é oferecer uma contextualização funcional dessa instituição tão formidável, que possa subsidiar reflexão e debate sobre o tema. Optou-se por abordar teorias contemporâneas para que se pudessem ser enfatizadas as características do Estado hoje, em sua expressão historicamente mais próxima do tempo presente. Claro, não se pretende uma lista fechada, muito menos exaustiva, e sim um ensaio de possibilidades como espelho de uma nação enorme, complexa e contraditória.
Estado, Governança e Administração Pública[1]
Quando somos questionados sobre o conceito de Estado, é comum termos dificuldade em formular precisamente. O Estado é uma instituição (?) enorme, praticamente onipresente, que evoca emoções as mais contraditórias, até mesmo algumas ideias radicais. Se o assunto é como o Estado funciona, as dúvidas persistem, multiplicam-se quiçá. Afinal, que função(ões) tem o Estado? Persegue (ou faz sentido perseguir) uma estratégia? O que é Governo? Onde a governança entre nessa discussão? Do que se trata a administração pública? E, talvez mais importante, como os processos sociais que esses conceitos representam se relacionam entre si?
A Era da Pós-Verdade
Chegamos na era da pós-verdade. E agora, o que fazer com uma internet que mais parece um catálogo de anúncios numa lista telefônica, toneladas de informação falsa e a quase completa incapacidade de separar o joio do trigo? Existirá uma sociedade possível sob a sombra da máquina-mercadoria-publicidade? Onde foi parar a informação? Resta ainda alguma credibilidade?
Crítica da Ideia de Meritocracia
Meritocracia é uma palavra da moda. Seja no Governo, ou no mundo corporativo, diz-se em alto e bom tom que a gestão meritocrática é uma das principais metas a serem perseguidas. Considerada característica fundamental de uma administração moderna, racional, a meritocracia é posta quase como uma divindade, intocável e perfeita em sua benevolência e temperança. Sem dúvida, essa é uma construção falaciosa. O construto ideal em torno da gestão meritocrática tem funções muito mais mundanas, de ordem ideológica, política e material.
Cultura digital ou cibercultura?
Em minha opinião, a terminologia "cibercultura" proposta pelo filósofo francês Pierre Lèvy tem uma grande vantagem em relação à ideia de uma "cultura digital", esta última tão disseminada hoje em dia. Para muito além de mera semântica. O que parece uma novidade, o "digital", na perspectiva ventilada por Lèvy toma a forma de estágio, uma modalidade particular de manifestação de um processo social mais amplo e antigo, o campo simbolico de interação comunicacional e da informação. Falar de uma "cultura digital" é, ao mesmo tempo, limitado e potencialmente datado, haja vista o fato de que o "digital" caminha para ser superado.