Não se trata, portanto, de dizer meramente que as diretrizes estratégicas são declarações falsas, simples mentiras deslavadas. Missão, visão e valores, mesmo que sabidamente enganosas, exageradas e, é preciso reconhecer, cafonas, piegas, ridículas até, cumprem uma função de sustentação subjetivo-simbólica das relações capitalistas para o controle (subsunção) e aproveitamento abusivo (exploração) do trabalho. Ao mascarar luta de classes, firmar o consenso burguês em torno do direito de explorar e se apropriar do trabalho alheio, bem como funcionar como antidoto contra alienação, essas diretrizes contribuem para a continuidade da empresa como instituição dominante das sociedades, da burguesia como classe hegemônica, do capital como estrutura onipresente de dominação e opressão em escala global.
A Impostura em se dar voz a um Impostor: a Folha de São Paulo e Bernard-Henri Lèvy
"Nossa" FSB deu voz, manchete e destaque a um negacionista do genocídio. A alguém que, em seu próprio país, é considerado um impostor intelectual — conhecido por argumentos falaciosos, posições ambíguas e vínculos constrangedores, para dizer o mínimo. No afã de atacar o político que não toleram, a Folha abraçou o pior da espécie.
Os Estados Unidos da América são uma ditadura?
Com tudo que uma ditadura pode oferecer(?): polícia política (ICE), dados e informações manipuladas, inimigos imaginários (imigrantes), campos de concentração fora do país para depredar garantias legais de suas vítimas (El Salvador), expurgo de livros e ataques a universidades, genocídio terceirizado (Gaza) e um megalomaníaco autoritário (Trump) para carregar uma culpa que, na verdade, é de oligarcas e de parcelas de uma população entre o atônito e o anestesiado.
Por qual ‘razão’ (?!) o bolsonarismo resiste?
Bolsonaro nos afundou num nível subterrâneo de desgoverno, corrupção e intenções patrimonialistas, do qual enfrentamos até hoje sérias dificuldades de nos erguer. As instituições patinam, figuras públicas tóxicas se multiplicam e a sensação de perene risco coletivo perdura. Mas o bolsonarismo segue relevante, o que me faz questionar o porquê dessa impermeabilidade à crítica. Qual o motivo que Bolsonaro ainda faz tanto sucesso?
Breve trajetória da presidência Bolsonaro…
É lícito dizer que a trajetória de Jair Messias Bolsonaro na presidência da República Federativa do Brasil é de conhecimento geral e comum. Ainda assim, como preâmbulo para discutir os porquês da persistência da base de apoio do ex-presidente, proponho uma brevíssima recapitulação de fatos e destaques. O intuito aqui é ilustrar uma discussão posterior, a ser publicada no blog, sobre a permanência e impermeabilidade do movimento bolsonarista. Antes, precisamos de um pouco de história.
Crônica de um Descenso Anunciado: O Discurso de Trump na ONU
Trump fez um autorretrato delirante, como se fosse um líder global capaz de finalizar guerras, combater corrupção, terrorismo e alcançar a paz. Nenhuma informação transmitida ali era verdadeira, nada fazia o menor sentido. O tal quadro não passou, ao final, de uma sobreposição de garatujas em um estágio muito primário de desenvolvimento.
Paradigmas Sociológicos da Análise Organizacional
Os estudos organizacionais são um campo vasto e contraditório, marcado por disputas políticas, que reúne diferentes perspectivas de interpretação e análise da realidade, seus objetos (as organizações) e do próprio campo em si. Compreender sua extensão e premissas é um grande desafio. O objetivo desse texto é relatar uma das alternativas para tanto, na análise do clássico modelo de sistematização dos estudos organizacionais elaborado por Gibson Burrell e Gareth Morgan.
Necropolítica, Superexploração e Neomalthusianismo
A lógica por trás das reformas neoliberais é a redução populacional por recurso indireto e covarde que, além de tudo, tenta transferir responsabilidade para a própria classe trabalhadora. A única escolha possível do trabalhador "livre" é se deixar explorar ao extremo, no limite de suas forças, por uma remuneração menor do que o suficiente. Assim, o Capital gerencia o genocídio silencioso do abandono, não numa câmara de gás, mas numa estufa de rancor e ódio. Em outras palavras, superexploração, neomalthusianismo e necropolítica.
Crítica da Lei de Responsabilidade Fiscal
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), promulgada com o objetivo de estabelecer limites para os dispêndios realizados pelo Estado parte da premissa de que as limitações de despesa de pessoal que institui (cf. Art. 19) são capazes de proporcionar eficiência de gestão. Nesse escrito, se estabelece um argumento contrário a esse entendimento. O que se apresenta após uma análise, é que a LRF tem um potencial de, pelo contrário, deprimir eficácia e desarticular a gestão do Estado.
Resenha: “A Estratégia Nacional de Segurança” Estadunidense, sob G. W. Bush
Após os atentados de 11 de setembro de 2011, a então amorfa e insossa presidência de G. W. Bush ganhou tração e propósito na "Guerra ao Terror", 2001-2021. O capitalismo estadunidensa fora contemplado ali com (ou terá construído?) aquilo que mais precisa: um inimigo. Muito daqueles anos seria antecipado na "Estratégia Nacional de Segurança" dos EUA de 2002. Essa resenha foi preparada para a disciplina "Política e Integração Internacional", no Mestrado em Administração do NPGA/UFBA em 2010, ministrada pelo querido (e brilhante) Mestre Nelson Oliveira. Muito daquela época ressoa em nossos tempos, por isso, creio ser prudente retornar ao tema.