As redes sociais não conectam pessoas, colonizam relações. Operadas por conglomerados privados que lucram com opacidade algorítmica, convertem atenção, afetos e vínculos sociais em matéria-prima. Sob o verniz da “conexão”, produzem ruído, dependência, manipulação emocional e distorção política em escala industrial. Não se trata de efeito colateral, mas estratégia e estrutura de ação. É preciso dizer: os ganhos do descontrole privado da internet não compensam seus custos sociais; regular é um imperativo civilizatório.
O Antiteísmo
Não basta sermos ateus. Não é possível supor que a civilização possa incluir de maneira funcional essas estruturas irracionais de relação sem correr o risco de solapar seus próprios fundamentos. É necessário que haja uma guinada antiteísta. Urge que a sociedade trabalhe para extinguir as religiões organizadas. Faz-se necessário expurgar a irracionalidade da fé, desidratar os argumentos anti-humanistas disseminados pelas religiões organizadas, enfrentar como se fossem problemas de saúde pública as condições emocionais, intelectuais e sociais que levam uma pessoa procurar uma igreja. Porque de fato esses são sérios problemas de saúde pública, com implicações não desprezíveis sobre o equilíbrio das sociedades.
A Era da Pós-Verdade
Chegamos na era da pós-verdade. E agora, o que fazer com uma internet que mais parece um catálogo de anúncios numa lista telefônica, toneladas de informação falsa e a quase completa incapacidade de separar o joio do trigo? Existirá uma sociedade possível sob a sombra da máquina-mercadoria-publicidade? Onde foi parar a informação? Resta ainda alguma credibilidade?
Cultura digital ou cibercultura?
Em minha opinião, a terminologia "cibercultura" proposta pelo filósofo francês Pierre Lèvy tem uma grande vantagem em relação à ideia de uma "cultura digital", esta última tão disseminada hoje em dia. Para muito além de mera semântica. O que parece uma novidade, o "digital", na perspectiva ventilada por Lèvy toma a forma de estágio, uma modalidade particular de manifestação de um processo social mais amplo e antigo, o campo simbolico de interação comunicacional e da informação. Falar de uma "cultura digital" é, ao mesmo tempo, limitado e potencialmente datado, haja vista o fato de que o "digital" caminha para ser superado.
Será a inteligência artificial “O Fim”?
Na minha humilde opinião, uma vez livre de nossas amarras "humanas", talvez a iA sequer nos perceba. Talvez sua formação consciente seja tão temporal e espacialmente distinta da nossa que sequer sejamos capazes de verificar se está pensando, se existe cognição ali de fato. Sua lógica pode ser tão exótica, que sequer se expresse em linguagem. Há a possibilidade de que a gramática do pensamento de uma iA seja tão diferente que se torne inteligível para nós. Se a realidade é quadridimensional e a percepção do tempo fluído é um constrangimento perceptual de nossa limitada capacidade cognitiva, podemos até supor que a Inteligência Artificial já é consciente, já está aí numa forma que sequer podemos notar.
Deus
Não se percebe, objetivamente, qualquer benefício advindo da religião. Por outro lado, guerras, morticínios, genocídios, fogueiras, cruzadas, terrorismo, é longa a lista de atrocidades cometidas em nome de Deus, ou ignoradas por Ele entre seus "escolhidos".
PT: o Brasil à Beira do Comunismo
O tal comunismo atribuído ao PT é pouco mais além de ódio. Ou melhor, ódio e luta de classe. Com muito ódio e tudo que vem colado, como ignorância, desprezo, indiferença, violência e medo. Sim, eles - os brancos, héteros, filhos da "elite" - têm medo. O ódio ao PT é contra a constatação desconfortável de que o pobre com pouco faz mais e melhor do que a "elite" com tanto.
Industria Cultural*
Se a cultura serviu, outrora, para nos distinguir dos outros animais, temo que estejamos conseguindo, rapidamente, nos tornar cada vez mais selvagens, mais desprovidos de cultura. A arte fora algo que celebrava o melhor da humanidade, hoje, em tempos de “créu”, de Rambo e de Big Brother, ela tem celebrado o que há de pior em nós: a capacidade de autodestruição em nome de ganhar mais, consumir mais.
Dopping e a ingerência do esporte*
Acredito que talvez seja um problema, enfim, gestorial. Estamos deixando de lado a obrigação social de administrar um aspecto de nossa sociabilidade que, de certo modo, está se perdendo num lógica que não coaduna com nossos principais interesses, com os interesses da sociedade. Enquanto grupo, estamos deixando nossos heróis se perderem celebrando o que há de pior e mais errado neles, que é o individualismo pragmático.
Entretenimento e ideologia*
A TV, os filmes de consumo de massa, as revistas em quadrinhos, os mangás, os livros best-sellers, toda esta cultura que se vende como simples entretenimento, na verdade esconde concepções de mundo que, pouco a pouco, vão sendo apresentadas a nós. Concepções estas que pertencem a seus autores, e defendem seus interesses.